Cláudia Cristina Sobral é acusada de ter matado a tiros o marido norte-americano

Na carta de 63 páginas, Cláudia Cristina Sobral utiliza a expressão “abuso de poder” várias vezes  através de uma carta obtida em 31 de março pelo jornal Extra, Cláudia Cristina Sobral, de 51 anos, natural do Rio de Janeiro, presa há 1 ano na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, criticou a forma com que foi conduzido o seu processo de cassação da cidadania brasileira. Ela é acusada de ter matado a tiros o marido, Karl Hoerig, piloto veterano de guerra nos Estados Unidos. O crime ocorreu em março de 2007 na cidade de Trumbull, Ohio, e desde então as autoridades americanas tentam a extradição da acusada.

                                                       1º caso na história do Brasil:

Cláudia poderá ser a primeira brasileira nata a ser extraditada na história do país. Por 3 votos contra 1, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em 28 de março que ela seja entregue à Justiça dos EUA para ser julgada. Na carta de 63 páginas, Sobral utiliza a expressão “abuso de poder” várias vezes. O primeiro pedido de extradição ocorreu no Brasil em 1891.

“Após 1999 (ano da minha naturalização) e até 2007 (retorno definitivo ao Brasil), eu viajei ao Brasil dez vezes; sempre com passaporte brasileiro devidamente renovado, sendo a última renovação em 2003, quatro anos após a naturalização. Quem não quer ser mais brasileiro não vem ao Brasil e nem renova passaporte brasileiro. Quem não quer ser mais brasileiro não paga imposto no Brasil, não vota nas eleições, não mantém seu registro profissional de contadora ativo, não declara imposto de renda, não possui imóvel”, declarou ela.

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O motorista Daniel Alves Barbosa, de 46 anos, marido de Cláudia há 10 anos, foi quem a informou sobre a decisão do STF. Os magistrados entenderam que, quando fez o juramento à bandeira americana, ela automaticamente abriu mão da nacionalidade brasileira. Entre as 100 perguntas cívicas (História e Governo) aplicadas durante o teste para a cidadania americana, a nº 53 “Que promessa você faz quando se torna cidadão dos Estados Unidos?” oferece as seguintes opções: (a) Abandonar a lealdade a outros países; (b) Defender a Constituição dos Estados Unidos; (c) Obedecer às leis dos Estados Unidos; (d) Servir nas Forças Armadas dos EUA (caso necessário); (e) Servir (executar trabalho importante) para a nação (caso necessário) e (f) Ser leal aos Estados Unidos. Para ser aprovada na cidadania americana, Cláudia teria que ter dito sim a qualquer uma delas.

Os advogados de defesa da brasileira alegam que a naturalização ocorreu por motivos profissionais, pois, embora já tivesse a residência permanente (green card), os rendimentos de Cláudia como contadora multiplicaram-se após a nova cidadania. Além disso, a defesa afirma que espera apenas a publicação do acórdão com a decisão para impetrar novos recursos.

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Ela relata que sofria abusos por parte do marido americano, com quem se casou depois de apenas 2 meses de namoro. Sobral alega ter sido vítima de bofetadas constantes e era obrigada a andar nua dentro de casa, “usando só salto alto”.

Em junho de 2016, durante o “interrogatório para fins de extradição”, ela recusou diversas vezes comentar sobre o dia em que Karl Hoerig foi assassinado a tiros e na mesma tarde ela embarcou em um voo para o Rio de Janeiro e nunca mais regressou aos EUA. Entretanto, fez uma única referência ao caso: “Eu só me defendi no último dia”.

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Para extraditar Cláudia, o governo brasileiro fez algumas exigências às autoridades americanas, ou seja, no caso de condenação em território americano, ela não poderá receber punições que não constem na legislação brasileira. Em decorrência disso, Sobral não poderá ser condenada há mais de 30 anos de detenção ou à pena de morte, que ainda é aplicada no estado de Ohio.

Fonte:http://www.brazilianvoice.com/