Cerca de 130 países começaram nesta quinta-feira a última rodada de negociações para a adoção de um novo tratado que proíba as armas nucleares, uma meta que pretendem alcançar em um prazo de três semanas.

Se não houver atrasos, os Estados participantes esperam aprovar essa ambiciosa convenção internacional no dia 7 de julho, o último dia da reunião que começaram hoje na sede da ONU em Nova York.

Fazer isso significaria finalizar pela via rápida um processo que a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou há pouco mais de seis meses e que, desde o início, tem se deparado com a oposição das potências nucleares e muitos de seus aliados.
Nenhum dos países que dispõe de um arsenal nuclear participa das discussões, mas isto não foi um impedimento para os outros, que consideram que o mundo tem um “imperativo ético” para agir contra este tipo de armamento.

A responsável de conduzir as negociações, a diplomata costa-riquenha Elayne Whyte, se pronunciou desta forma na abertura das discussões, que sucedem uma primeira fase realizada em março.

Após esta primeira fase, Whyte e sua equipe apresentaram um primeiro rascunho, que será a base das conversas das próximas semanas.

“Ao iniciar esta última fase da conferência, tenho a certeza que, com a vontade política necessária, poderemos atingir o objetivo estabelecido”, disse hoje Whyte.

Essa meta é conseguir um instrumento juridicamente vinculativo que proíba as armas nucleares com o objetivo de chegar a sua total eliminação.

Isso inclui proibir “o desenvolvimento, a produção, a fabricação, a aquisição, posse e armazenamento de armas nucleares e outros artefatos explosivos nucleares”, segundo o texto atual, que será revisado e ajustado durante os próximos dias.
A fórmula escolhida é a de uma convenção internacional, que seria vinculativa para todos os países signatários e que, para os seus defensores, criaria um novo padrão em matéria nuclear.

Os promotores desta iniciativa acreditam que o tratado aumentará o estigma das armas nucleares e vai fazer o desarmamento avançar, mesmo que as potências nucleares não se juntem à convenção em um primeiro momento.

“Esta convenção proibirá as armas nucleares sob a legislação internacional como um passo necessário para a sua completa eliminação. Chegou a hora de dar este passo histórico”, disse Beatrice Fihn, diretora-executiva da Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN, sigla em inglês).

Essa coalizão foi uma das grandes promotoras da iniciativa, que conta com o apoio de outras organizações como a Cruz Vermelha e de personalidades como o papa Francisco.

“O objetivo das armas nucleares é matar civis indiscriminadamente, aos milhões, incinerar cidades inteiras. Ninguém acredita que isto seja aceitável e estas armas não devem ser toleradas”, insistiu Fihn em um comunicado.

Enquanto isso, os países com armas nucleares preferiram ficar à margem das negociações e vários deles avisaram que a nova convenção vai contra o enfoque progressivo do Tratado de Não Proliferação Nuclear, sob o qual as potências atômicas estão comprometidas a reduzir os seus arsenais.
De acordo com esse tratado, só estão autorizados a ter armamento desse tipo EUA, Rússia, China, França e Reino Unido, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

Além deles, e à margem desse acordo, também possuem armas nucleares Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte.

Apesar dos compromissos internacionais existentes para avançar no desarmamento nuclear, durante os últimos anos o processo se estagnou e alguns países estão hoje modernizando seus arsenais atômicos ao invés de reduzi-los, tal como apontou hoje a responsável de Desarmamento das Nações Unidas, Izumi Nakamitsu.
Fonte:http://www.efe.com/